quarta-feira, 8 de julho de 2009

O rei diante do Rei

Impressionou-me assistir ao show em memória de Michael Jackson. Imprensa, celebridades, pessoas renomadas, gente comum. Cerca de 20 mil pessoas no Staples Center em Los Angeles, além da comunidade internacional que acompanhava a transmissão pela TV. De fato, foi um grande acontecimento. Todos, juntos, contemplavam os últimos momentos do rei do pop que, dessa vez, estava guardado dentro de seu caixão banhado a ouro, de 20 e tantos mil dólares.

Michael Jackson foi um gênio. Seu nome, com certeza, está marcado na história da música e da cultura global. Mesmo antes de seu falecimento já se sabia disso. Pergunto: a morte dele nos chocou? Por quê? Edgar Morin, um estudioso da Cultura de Massa, chama de “olimpianos”[1] os artistas, os pop entertainers. Essa denominação remete ao Olimpo, onde habitavam os deuses da mitologia grega. Conforme aponta Morin, a nós, os pobres mortais, parece que não há dor, não há tristeza, não há dificuldade, tão pouco poderia existir morte no viver dos olimpianos.

Parece... Entretanto, o falecer de um olimpiano confirma que homens e mulheres são como flor que logo desfalece, como uma onda que passa pelo oceano, como vapor ao vento.[2] Teimamos em esquecer disso. E o rei do pop fez com que nos lembrássemos de como somos transitórios e finitos. Incômodo?

A música de abertura do show em memória de Michael Jackson, durante a qual se deu a entrada do caixão, foi Soon and Very Soon (Breve, em breve) de Andrae Crouch. Essa é uma canção cristã que, traduzida de maneira livre, diz o seguinte:
1. Breve, em breve, veremos o Rei.
Aleluia! Aleluia! Nós veremos o Rei.

2. Lá não haverá pranto, veremos o Rei.
Aleluia! Aleluia! Nós veremos o Rei.

3. Lá não haverá morte, veremos o Rei.
Aleluia! Aleluia! Nós veremos o Rei.
Lá estava o rei diante do Rei. Sim, ele também. Assim como eu e você, ele foi se encontrar com o Rei do Universo. Interessante pensar que muitos também contemplaram a morte do Rei dos reis há mais de dois mil anos atrás, pendurado em uma cruz. Mais instigante, ainda, é pensar que bilhões, hoje, testificam a sua ressurreição. E os que o fazem dizem ter achado vida e vida em abundância.[3]

Diante do Rei, tanto o rei quanto eu e você, somos desafiados a tomar uma decisão ainda em vida. Quer reconheçamos, quer desprezamos o seu reinado, um encontro com o Rei nós teremos. Afinal de contas, nada deste reino aqui nos pertence. Às vezes, a morte nos dá essa lição.


_________________

[1] MORIN, Edgar. Cultura de massas no século XX: neurose. v.1. 9.ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2005.
[2] Isaías 40.7-8
[3] João 10.10

4 comentários:

Anônimo disse...

Oi Edson,quanto tempo...passei para uma visita e deparei-me com a última postagem.
É interessante pensar em tudo que uma morte nos remete.

Sei que o sentimento que grita em mim é de lembrar que o Rei tem sua hora e importante é que estejamos conectados a Ele.
Na verdade, sem Ele não há vida.


Abraços saudosos,
Eriquinha!

Edson Munck Jr disse...

Oi, Eriquinha.

Quanto tempo...

Bom saber que você está por aqui: é sempre bem-vinda. Interessante sua percepção. Vamos viver a vida que Ele mesmo é.

Abraços

noah disse...

Gostei de seu comentáio. Nos faz pensar . Como aconteceu com MJ, inesperadamente, pode acontecer com qualquer um de nós Estamos aqui hj e amanha??? estamos realmente prontos pra esse encontro com o Rei??? e os que amamos?? que fazemos pra que eles tenham ese encontro?? testemunhamos da Vida com Jesus á eles??? um abraço e virei visita-lo sempre...

Edson Munck Jr disse...

Caro noah,

muito bem-vindo! Interessante pensar que o amor cristão contraria a máxima egocêntrica que o espírito desta época apregoa. Foi muito oportuna sua colocação sobre a dimensão do testemunho e dos atos de amor.

@braço