sábado, 27 de dezembro de 2008

Tempo

Ontem reencontrei amigos que não via há bastante tempo. Por algumas horas, estivemos juntos, conversando sobre trivialidades. Um momento especial chamou minha atenção: abrir um álbum de fotos.

Entre uma página e outra, revivia tempos passados. Percebi que entre o tempo de algumas daquelas fotos e hoje foram-se dez anos. Muitos. Rápidos. Diversos anos. E eles passaram de repente. É uma experiência engraçada, "quem é esse aqui?", "não, não acredito!", "por favor, vire esta página"... e importante - acredito - olhar para nós mesmos, com os olhos de hoje, para uma imagem de ontem.

E a gente vai crescendo. O tempo passa. Aquelas fotografias são flagrantes de uma época adolescente, daquela irresponsabilidade sadia nas brincadeiras, no jeito de levar a vida.

Como o Menino Maluquinho, a gente não consegue segurar o tempo.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Pecado, a doença da alma

Ricardo Barbosa de Sousa*

A história de Fausto (Goethe, 1806) é considerada um símbolo cultural da modernidade. Ela retrata a vida de um médico e intelectual alemão que, entediado e desiludido com o conhecimento que não lhe deu significado, e com a vida que não tinha mais sentido, faz um pacto com o demônio Mefistófeles, que se oferece para atender todos os seus desejos e vontades. Então ele se entrega aos prazeres nos vinte e quatro anos que fica sem envelhecer, em virtude do pacto que fizera, assinado com seu próprio sangue, e, no fim desse tempo, é levado para o inferno e a morte.

A busca obsessiva pela auto-realização tem levado o ser humano a pagar um preço muito alto para consegui-la. Neste vale-tudo da satisfação imediata, as pessoas se entregam sem limites e sem controle, seja a dieta ou ao sexo, ao consumo ou à malhação, expondo o corpo e a alma aos demônios modernos que se oferecem para atender todos os desejos e vontades. Tudo é feito com intensidade, sem uso da razão ou do bom senso, e com um custo espiritual, emocional e físico muito elevado.

O tédio, as incertezas, a negação do sagrado e dos valores éticos e morais tornam o ser humano vulnerável aos Mefistófeles modernos. Tiago, em sua pequena carta, nos apresenta numa rápida descrição a forma como o pecado é concebido e suas conseqüências para o corpo e a alma: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte” (Tg 1.13-15). Para Tiago, a tentação que dá à luz o pecado vem de nós, somente de nós. Não temos como responsabilizar ninguém, apenas nossa cobiça, que nos seduz, alimenta a luxúria interior de cada um, engravida e dá à luz o pecado, que nasce, cresce, fica adulto e se transforma num terrível assassino.

O pecado continua sendo o grande problema do ser humano. Porém, o que acontece hoje é que ele não representa mais um grande problema; pelo contrário, chega a ser glamourizado. Aquilo que no passado foi repudiado hoje é visto como virtude; ambição, ganância, vaidade, promiscuidade, consumo são valores em alta. Com o avanço da ciência, o pecado deixou de ser um conceito teológico para se transformar em “doenças” e ser tratado com remédios. A dor da culpa que Davi sentiu por ter ofendido a Deus e ao próximo, que ele descreve nos salmos de confissão, hoje não é mais tratada com arrependimento e confissão, mas com terapia e prozac. Porém, a raiz do problema da humanidade continua sendo o pecado, a cobiça de cada um de nós, que vem dando à luz este assassino serial, colocando em risco a pessoa, a família e a sociedade.

Sabemos que a força última que move o ser humano é seu desejo por Deus. Em suas “Confissões”, Agostinho expressa assim este desejo: “Contudo, esse homem, uma partícula da tua criação, quer louvar-te. Tu mesmo o incitas a deleitar-se nos teus louvores, porque nos fizeste para ti e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em ti”. Por outro lado, se Deus não permanece no centro dos nossos desejos, eles se tornarão vulneráveis e confusos, levando-nos a ceder às seduções da mentira e do engano, envolvendo-nos em ilusões e paixões, numa busca insana de falsas realizações, adoecendo a alma e assassinando o corpo.

O que Tiago ou a história de Fausto nos revelam é que o personagem pensa que está no controle de tudo, gozando a vida como lhe agrada, se entregando a todos os desejos e prazeres; porém, só fica sabendo, às vezes tarde demais, que viveu uma grande ilusão e tornou-se menos real do que a figura sombria que o seduziu.

Como disse Agostinho, “Fizeste-nos para ti, Senhor, e o nosso coração permanece inquieto enquanto não repousar em ti”. Somente quando buscamos nossa realização e satisfação em Deus é que nossa alma encontra descanso e paz.


*Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de “O Caminho do Coração” e “Conversas no Caminho”.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Que autonomia?

Philip Yancey


Minha esposa e eu passamos um tempo no interior da Tasmânia, uma ilha escarpada na costa ocidental da Austrália. Um criador de ovelhas abriu uma pousada no meio do pasto, sede da fazenda. Sabendo que dificilmente comeríamos um cordeiro fresco, decidimos nos hospedar com ele.


Na hora do jantar, perguntei inocentemente sobre a estranha coloração – laranja, vermelho, azul e verde – que tínhamos visto nas ancas de uma ovelha. “É assim que acompanhamos o processo de reprodução delas” – explicou ele, sorrindo. “Eu penduro giz colorido num lugar estratégico do carneiro. Ele deixa a sua marca quando faz seu trabalho. Assim, eu sei que todas as ovelhas com traseiras alaranjadas foram atendidas. Quando a tarefa prossegue – as ovelhas são pontuais e 100% férteis – posso reunir as ovelhas alaranjadas e dar-lhes atenção especial.


Nos minutos seguintes, aprendi muito sobre os hábitos reprodutivos das ovelhas. Cada uma tem um período de apenas seis horas para receber o carneiro. Isto não é um problema, pois o macho tem plena certeza de que será bem atendido num determinado momento. O fazendeiro separa dez carneiros para cobrir quatro mil ovelhas, o que significa que trabalharão até a exaustão, perdendo muito do seu peso no processo feito de muito trabalho e nenhum romance.


Quando vi um carneiro esquelético e sujo, dei graças a Deus por ajustar os termos da sexualidade na espécie humana. Aliás, os zoólogos dizem que poucas espécies – golfinhos, alguns primatas e os grandes felinos – se envolvem no sexo de uma forma prazerosa.


Passei a manhã seguinte andando pelos campos, tomando cuidado onde pisava. Tentei imaginar a vida do ponto de vista de uma ovelha. Elas passam 90% do seu tempo andando, de cabeça baixa, procurando por um capim. De vez em quando, um cão belisca suas patas, tangendo-as para as direções que quer levá-las. Quando o tempo muda, elas se amontoam na chuva e no vento. Um vez por ano, um primo bravo aparece e arremete contra elas, deixando-as marcadas com uma estranha cor. A barriga cresce, os cordeiros surgem e a atenção se volta para o desmame destas criaturas pequenas e travessas que brincam pelo pasto. Irmãos e irmãs podem desaparecer, algumas vezes, atacados por um demônio da Tasmânia (estes sórdidos marsupiais que realmente existem), outras vezes são conduzidas pelo ser de duas pernas. As mesmas criaturas periodicamente vão para um armazém onde são tosquiadas, ficando geladas e encabuladas por algum tempo.


Enquanto eu andava, ocorreu-me que as ovelhas, no nível em que pensam, devem achar que decide os seus próprios destinos. Elas pastam, ruminam, fazem escolhas e vivem suas vidas com algumas interrupções por cães, carneiros e pessoas. Elas não conhecem a cena completa que está sendo orquestrada de acordo com um plano racional pelos humanos que vivem na fazenda.


Sei que a analogia com as ovelhas não é exata. Nem mesmo a ovelha mais estúpida negaria a existência de um mundo além do seu – marsupiais, humanos e cachorros. Nós, seres humanos, especialmente os que vivemos nestes tempos reducionistas, simplesmente decidimos que nada existe além da fronteira com os nossos sentidos. Alguns estão convencidos de que o que não podemos ver não existe.


Estamos diante de Deus como as ovelhas estão diante de nós? Em certo sentido, não: Deus garante o conhecimento aos que estão “embaixo” e permite um relacionamento real com Ele. Em outro sentido, sim: “Sabei que o Senhor é Deus! Foi Ele quem nos fez, e somos dEle; somos o Seu povo e ovelhas do Seu pasto”, escreveu o salmista (Salmo 100.3). Notemos os pronomes possessivos: Seu povo, Seu pasto.


Vivemos num mundo que, em sua essência, em sua origem e em seu destino pertence a Deus. E nós mesmos somos propriedade de Deus. Podemos insistir em nossa autonomia, mas no fim sabemos que essa autonomia não é mais real do que a de uma ovelha da Tasmânia.

domingo, 26 de outubro de 2008

Nem para mais, nem para menos

Deus ama você incondicional, verdadeira, intensa, irrevogável, decidida, pura e constantemente.
“Não há nada que você possa fazer para Deus te amar mais.
E não há nada que você possa fazer para que Ele te ame menos”.
(Philip Yancey em Maravilhosa Graça)

“Não por quem eu sou, mas por aquilo que Tu fizeste.
Não por aquilo que eu faço, mas por quem Tu és”.
(Casting Crowns em Who am I?)

“As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se a cada manhã. Grande é a sua fidelidade. A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto, esperarei nele”.
(Lamentações 3.22-24)

“Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”.
(Romanos 8.38-39)

Eternidade

Tempos controversos e incertos. O mundo financeiro balança nas altas e baixas das moedas. A cada dia, podemos nos surpreender com as oscilações do dólar e do euro que desestabilizam o cenário econômico mundial. Parece que o mundo contemporâneo assume cada vez mais a forma fluida, frágil e efêmera que os tempos têm conferido a ele e também a nós.

Parece que tudo está passível de ser alterado, desestruturado. E é nesse contexto que olho para aquele que era, que é e que há de ser. A Sua palavra nos diz que Ele mesmo plantou a eternidade no coração dos homens e das mulheres : "também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até o fim" - Eclesiastes 3.11. Talvez como que numa tentativa de nos atrair para Si.

Às vezes, sinto-me cansado da transitoriedade. Sei que ela tem o seu lugar sobretudo na juventude. Mas não me contento em deixá-la como regra da minha vida, numa evanescência do permanente, sólido, constante que também ainda nos caracteriza.

Para pensar na eternidade, extrapolo minha limitação repleta de temporalidade. Pela fé, consigo entender que esta vida não se resume ao aqui e agora. E, quiçá, a fé seja essa semente de eternidade que o Senhor deixou plantada em nossos corações.

Crer nisso, em tempos como os atuais de fugacidade intensa, é desafiador. Esse exercício que alguns podem até chamar de retrógrado, abstrato, impossível ou mesmo de incoerente garante sentido e completa a nossa existência.

Com uma expectativa de vida limitada aos setenta e poucos anos hoje, convencidos de que certidão de nascimento e atestados de óbito declaram início e fim da vida, assustados pelas inúmeras doenças que a luta contra o tempo tem trazido para nós, tornamo-nos descrentes. Parece que não há mais espaço para se pensar na eternidade. Na contra-corrente, brada a voz do Mestre: "E a vida eterna é esta: que te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (João 17.3).

Conhecer a Deus é começar a entender o kayrós, ainda vivendo o chronos. Ou seja, experimentar o tempo na dimensão eterna ainda limitados pelos segundos, minutos, horas, dias, meses, anos... Já dizia Agostinho: "porque nos criaste para Ti e o nosso coração vive inquieto, enquanto não repousa em Ti".

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Conversas entre fé e razão


O senso comum muitas vezes leva-nos a acreditar que ciência e religião não podem andar juntas, além disso, os jovens são vistos como alheios à espiritualidade. Entretanto, uma pesquisa da fundação alemã Bertelsmann Stiftung, realizada com 21 mil jovens, entre 18 e 29 anos, em 21 países, mostra que a realidade não é bem assim.
É assim que começa a matéria "Universidade é lugar de religião?", publicada no JF em Pauta. Participei das entrevistas da repórter Jaciluz Dias, comentando sobre fé, razão, vida acadêmica e relacionamento com Deus.

Para acessar a matéria, clique aqui.

domingo, 28 de setembro de 2008

O justificador

Dia desses, participei de um debate. Ele, doutor em Teologia. Ela, doutora em Literatura. A discussão girava em torno do valor da Bíblia como texto literário ou não.

Em meio às informações teológico-literárias, resguardados os academicismos e tudo mais, algo que se passou naquela situação permaneceu comigo.

A professora de Literatura apresentou-nos alguns textos poéticos para explicar a relação Bíblia e Literatura. Murilo Mendes, poeta modernista juizforano, foi o seu objeto de estudo.

Foi nessa ocasião que conheci "O justificador" de Murilo Mendes.
(...)
Os homens te dividem em mil imagens falsas:
Mesmo assim, mutilado, esquartejado, sujo,
Dás a todos o único, o insubstituível consolo.
Tuas parábolas publicadas em edições de engraxate
Comovem ao mesmo tempo o ignorante e o poeta.
Os maus sacerdotes em vão procuram te ocultar:
Tu os convertes na última hora, como ao bom ladrão.
Espalhas pela terra teu corpo e tua alma em pedaços.
E cada alma, mesmo ruim, é uma relíquia tua.
Diariamente o mundo te persegue e te mata,
Diariamente ressuscitas e atraís o mundo a ti.

sábado, 16 de agosto de 2008

Sobre pessoas, lugares e impressões

Indaiatuba, Rio Claro, Piracicaba, Ferraz, Limeira e Monte Mor foram os lugares onde acampei minha tenda entre os dias 18 e 28 de julho. Essas viagens são para compartilhar as experiências e vivências na Noruega. Em cada uma dessas cidades, existe uma comunidade luterana que me acolheu. Fiquei em casas de pessoas diferentes, fui muito bem recebido por cada uma delas e, no final de tudo, o coração vai se alargando por conhecer gente querida. Quando era hora de partir, partia mais preenchido, carregando mais um pouquinho de gente na memória e no coração.

Foi a primeira vez que viajei para o interior de São Paulo e, especificamente, para a região de Campinas. Fiquei impressionado pela qualidade das rodovias e pelo ritmo manso que toma conta das cidades do interior. Quer dizer, nem tão manso. Basta pegar a estrada para entender que estamos em São Paulo. E como é frequente ter que pegar a estrada! Impressiona a movimentação intensa naquela área. Outra coisa, a quantidade de indústrias é grande, por isso, estradas boas são essenciais para que a produção seja transportada com facilidade e rapidez. Assim como as estradas, parece que nas veias dos paulistanos o sangue circula num outro ritmo.

Nas diferentes comunidades que visitei, participei de reuniões de louvor, de mulheres, senhoras, reuniões de oração, de estudo bíbliico, de liderança jovem e também de cultos. A cada oportunidade, expunha um pouco do que vivi na Noruega e do aprendizado que agora caminha comigo (ou eu com ele?) de volta ao Brasil. As conversas giravam em torno de missão, chamado e evangelização, complementadas por alguns testemunhos.

Quero deixar aqui um abraço para todas as pessoas que me acolheram nesses dias e me fizeram sentir em casa. Um dos maiores privelégios de ser cristão é o de se sentir em casa ao se encontrar com outros crentes a tantos quilômetros de casa.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Em breve

Pessoal, ando pelo interior de São Paulo nessa semana. O propósito é compartilhar as experiências e vivências na Noruega em outras comunidades. Tenho conhecido muita gente querida e muitos lugares. Muita coisa boa tem acontecido. Em breve, vou publicar aqui os detalhes e algumas fotos também.

Soon

Hi folks! I've been traveling through São Paulo state during this last week. It's Information Work time! The main reason and purpose is to share experiences which I could live in Norway. It's been exciting to get to know new people, new places. Many good things have happened. Soon, I'm gonna publish some more posts and pictures about this experience.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Diante dos fatos

Dia 7/7/2007: cristãos de diversos lugares do Brasil se unem aos cristãos do Rio de Janeiro para declarar “Vem Jesus, Príncipe da Paz, estende os Teus braços sobre nós” na Praça da Apoteose.

Dia 7/7/2008: noticia-se na mídia nacional a morte inocente de João, um garoto de três anos, numa desastrosa ação policial na capital carioca.

Um ano depois de o ajuntamento acontecer na Cidade Maravilhosa, da Igreja reunir-se para declarar o reinado do Senhor Jesus sobre aquela cidade e sobre toda a nossa nação, somos abalados com essa notícia.

Na mídia, a discussão gira em torno da infeliz ação policial que resultou na morte do garotinho. Obviamente, os policiais envolvidos na ação são responsáveis diretos pelos seus atos. Fica também evidente o despreparo com o qual agiram. Também está explícito que a polícia carioca precisa resolver os seus problemas.

Fiquei pensando: a população carioca não tem paz; a polícia carioca não tem paz; os bandidos também não têm paz. Pronto, temos um cenário totalmente propício à guerra. Acredito que há paz para os criminosos, para os policiais e para a população. Entretanto, penso que essa paz precisa ser entendida e experimentada pessoalmente antes mesmo de rotularmos “civis”, “militares” e “bandidos”. Creio numa paz que transforma todos esses “rótulos” em homens e mulheres e trata deles/delas nessa instância. Essa paz que creio torna-nos todos igualmente carentes dela, pois basta ser humano para dela precisar. A paz que excede todo entendimento.

Há um ano, juntei-me a 100 mil cristãos e declarei: “Vem, Jesus, Príncipe da Paz, estende os Teus braços sobre nós”. Numa atitude profética, como povo do Senhor Jesus na Terra, erguemos nossas vozes para declarar que a única solução e a resposta suficiente para a falta de paz é Jesus Cristo.

Jesus é sim Príncipe da Paz, Ele tem poder e reina sobre toda a Terra. Ele quer reinar sobre indivíduos, quer sejam eles civis, militares ou criminosos, reconciliando-os com Deus e com os outros. A todos Ele acolhe em Seus braços pacíficos de perdão. O reinado dEle já é realidade: Sua justiça, paz e alegria têm transformado indivíduos, comunidades e nações ao longo dos últimos dois milênios.

Diante dos fatos fica difícil ter fé suficiente para enxergar os sinais do Reino de Deus em nosso meio. Diante dos fatos, parece impossível crer que há esperança e que há paz para o Rio de Janeiro. Mas, diante do Senhor, silencio em fé e continuo a crer que os braços de Jesus continuam estendidos sobre aquele lugar, prontos para acolher indivíduos desesperançados e inquietos pelo terror da violência.

My Brazilian Brazil

I am back to Brazil since June 13th and it has been exciting to meet again my country and my people. My way of looking to things has changed and, sometimes, I catch myself analyzing my own culture as if I weren’t a part of that. It’s kind of weird… Some actions, mainly those concerning to behavior – like ways of greeting, talking, the way we relate to others – have been investigated.

I still remember from the very first days some scenes which called my attention and worked as an inverted “cultural-shock”: being “shocked” by your own culture in comparison to the one you have lived for some considerable time. The scenes were:

•Brazilians greet everyone and are so polite – even if it is the first time you meet them.

•In Brazil, people will talk to you on bus-stations, they will sit with you on the bus and it is possible that they will tell you their life story in a glimpse (sharing sorrows and joys).

•Many will come to your home to visit you without calling before – and we don’t consider that impolite. Many will invite you to come over and make them a brief visit.

•At home, you don’t remove your shoes to come in.

•When it comes to punctuality, it depends: mostly it’s relative.

•Brazilian people work hard: many hours/day and, sometimes, in more than one place; but it doesn’t mean they are well paid.

•Brazilian football team is not the same.

I keep observing what is going on in this country which, once, was known and now I start to rediscover. After living abroad, sharing new cultural perspectives, we incorporate a trans-cultural pattern to use. I feel like putting on my Brazilian cultural suits again but, definitely, in a new and unexpected way. There’s a popular song here which says “Brazil, my Brazilian Brazil…” and it illustrates the way I feel being back.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

I will dance

video

International students dancing African dance at Hald 07/08

The most popular dance at Hald Internasjonale Senter 07/08 started at the very beggining: at Welcome Party for the Norwegians students. Throughout the school year we could see it again being presented it other places. Last Sunday it wasn't different: we ought to have this dance at Hald Day (Kulturstunt). "If the Spirit of the Lord is upon me, I will dance like David danced". Let the Nations praise His name!

Uma das atrações mais comuns no Hald nesse ano 2007-2008 foi uma dança e começou bem no início: na Festa de Boas-Vindas para os estudantes noruegueses em agosto passado. Ao longo do ano escolar, pudemos ver e rever essa coreografia em diferentes ocasiões. Domingo passado não foi diferente: ela foi reapresentada no Hald Day. "Se o Espírito do Senhor está sobre mim, dançarei como Davi". Que as nações louvem o nome do Senhor!

domingo, 8 de junho de 2008

Counting days


"Teach us to number our days aright,
that we may gain a heart of wisdom
".
Psalm 90:12



Now it is less than a week in Norway. Time has gone fast. Life has changed. Experiences have made me different and taught me a lot. Memories... Words tent to scape in such moments and, if not, I think they are not capable to say everything we wanted to. My prayer is as the psalmist's: Teach me, Lord. May Your daily teachings give me a heart of wisdom.

sábado, 7 de junho de 2008

Olhando para trás

A volta para o Brasil se aproxima. Em menos de uma semana, estarei de volta à minha terra natal. Esses momentos estão repletos de despedidas, expectativas e também de reflexões. Algumas perguntas eu mesmo tenho me feito. Outras são constantes e vêm de outros.

Essas perguntas costumam girar em torno do que vivi, do que tenho vivido e do que viverei. Em outras palavras, estão relacionadas ao passado, presente e futuro. Perguntas que são definidas (ou não - não é, futuro?) pelo tempo.

Por ser jovem (ainda), eu tenho a tendência de estar bastante concentrado no futuro. Acho que foi assim também com aqueles já adultos e/ou idosos.
Ao longo desses últimos tempos, tenho pensado também na importância do dia-a-dia. Talvez por eu estar presente, consigo entender mais o presente. Ele me parece mais tangível. Acho que é nessa instância que tenho mais segurança, porque, de uma forma ou de outra sei o que acontece; vejo, ouço, sinto, decido, faço ou não. Até que ponto essa segurança me liberta ou aprisiona é questionável.
Acabei de falar do presente, ele acaba de se tornar passado. É assim: da efemeridade da minha segurança, daquilo que me era tangível ou que eu diria entender, conhecer, brota o passado.
Hoje decidi olhar para o meu passado. Quero fazer esse exercício de maneira nova assim como o sábio Salomão sugeriu: "Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade" (Eclesiastes 12.1). Assim eu olho para trás! Nesse momento de minha vida, lembro dEle: que diferença Ele tem feito! Quero continuar vivendo o dia-a-dia lembrando do meu Criador, do meu Senhor!
Hoje, o Senhor segura a minha mão. Com um sorriso nos lábios Ele me convida a olhar para o caminho trilhado com Ele. "Viu, filho!? Eu te falei que a caminhada seria diferente!". Eu, com o coração contrito, agradeço-O, adoro-O. Ele continua: "Mas vamos continuar...". Em fé, meus olhos se voltam para os dEle. Como criança que atravessa a rua, deixo com que o Pai segure firme a minha mão e ensaio os primeiros passos do que está por vir.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Aprendendo e ensinando

Ontem e hoje, eu, Roger, Nan, Glad and Sak estivemos numa escola aqui em Mandal para darmos aulas para quatro classes.

Nós tínhamos planejado há bastante tempo o que iríamos fazer. Mas é sempre empolgante antes de começar, porque não sabemos como as coisas vão sair, como tudo vai acontecer.

No primeiro dia, encontramos dois grupos com cerca de vinte alunos cada, na idade de doze anos. Pudemos conduzir a aula em inglês. Tivemos algumas canções, danças, jogos e algumas informações sobre os nossos países.

Hoje também encontramos duas classes: ambas com estudantes de seis anos de idade. Assim, tivemos que falar norueguês. Tudo correu bem! Cantamos com eles uma música para nos apresentarmos, assim cada um podia falar o seu nome. Depois, usamos um mapa para mostrar onde ficam os nossos países no mundo: Brasil, Laos, Tailândia, Camarões e Madagascar. Eles também puderam ver as nossas bandeiras.

Não posso negar que foi um desafio e tanto para mim e, acredito, para todo o grupo. Ensinar para crianças é uma tarefa bem desafiadora e recompensadora simultaneamente.

Eu não era tão ligado em trabalhos com crianças e pude aprimorar muito isso durante esse tempo aqui na Noruega. Eu fiquei bem próximo delas e pude aprender muito nesse exercício.

Tanto o trabalho que desempenhei no Barnegospel (em Avaldsnes) quanto essa experiência recente na escola me ensinaram muito. Eu até pergunto: quem é que aprendeu mais?

Teaching

Yesterday and today, me, Roger, Nan, Glad and Sak went to a school in Mandal in order to teach four classes altogether.

We had planned these classes a long time ago. But it’s always exciting before beginning ‘cause we don’t know how it is going to be and what is going to happen. And I thrill in situations like that!

At the first day we met two groups of twenty students each in the age of twelve. We could talk English with them and it went very well. With both we had songs, dance, games, some teaching about culture and greetings in different countries.

Today we were together with two classes. The students were six years-old and we had to speak Norwegian. It went so nice! We sang a famous Norwegian to introduce ourselves: “Hei, hei, hei, jeg heter… Hei, hei, hei, hva heter du?” (Hi, hi, hi, my name is… Hi, hi, hi, what is your name?). After, we used a map pointing our countries and showing our flags: Brazil, Laos, Thailand, Cameroon and Madagascar.

I can’t deny that it was a challenge for me and, I guess, for the entire group. Teaching children is a very challenging task and rewarding simultaneously.

I wasn’t that into tasks that have to do with children, nevertheless this time in Norway made me get more involved with them and I could learn a lot just for being with kids.

The work I followed at Barnegospel (in Avaldsnes) and this very recent experience at school taught me a lot. I would ask: who have learnt more?

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Do travesseiro

Você acha que um travesseiro pode mostrar algo sobre cultura? Em princípio, não via nenhuma possibilidade para isso, mas depois do que experimentei ontem mudei meu ponto de vista.

Cheguei na rodoviária em Haugesund com a minha bagagem e um travesseiro na mão. Na verdade, o travesseiro não era nem meu: era da Cirene (minha team mate), pois ela esquecera na casa da sua família norueguesa e eles me pediram para entregar. Enfim, carregava-o tranquilamente.

Coloquei minha mala no bagajeiro do ônibus e me dirigi até à porta a fim de embarcar. Foi aí que encontrei um moço que trabalha na empresa. Ele olhou para o travesseiro, olhou para mim, olhou e apontou para o travesseiro novamente e disse:

- Nós não temos cama no ônibus.

Eu me surpreendi com a pergunta, mas procurei responder, explicando que eu não tinha a intenção de dormir, mas preferi carregá-lo na mão a deixá-lo no bagajeiro. Ainda sem compreender bem aquela situação, subi no ônibus, fui pagar minha passagem (na Noruega, você compra as passagens na hora que embarca, com o motorista). Ao adentrar no corredor do ônibus e procurar o meu lugar para assentar, um senhor que se assentava no primeiro banco comentou:

- Sabe, até que não é má idéia trazer um travesseiro para dentro do ônibus!

Seguia meu caminho, procurando uma poltrona vaga. Os olhos noruegueses olhavam curiosos para aquele cara com cabelo escuro que entrava no ônibus segurando um travesseiro.

Por fim, encontrei dois bancos vasos e me assentei. Fiquei na cadeira do corredor e deixei o travesseiro viajar na poltrona da janela.

Globalização

Encontrei esta placa numa peixaria em Bergen (Noruega):

"Nós falamos norueguês, inglês, italiano, alemão, espanhol, francês, holandês, árabe, português, russo..."

Quase

Aqueles que me conhecem um pouco sabem que não sou muito interessado em jogos do tipo baralho, tabuleiro e por aí vai. Quer dizer, houve um parênteses na minha adolescência em que o War era a sensação nas noites e até que eu era bom no jogo. Mas agora lembro pouca coisa - talvez tenha que praticar.

Semana passada, estive na casa de uns amigos. Aqui na Noruega os jogos de tabuleiro são muito apreciados pela galerinha mais jovem: existem vários. Um dos mais conhecidos é o Settlers. É um jogo estratégico cujo objetivo é ir construindo casas, cidades, estradas e, assim, acumular pontos. Ganha aquele que conseguir 10 pontos primeiro.

Eu estava jogando sem nenhuma pretensão de ganhar, só por diversão mesmo. Mas teve um momento que percebi que eu estava liderando o jogo. Éramos três pessoas jogando. Os adversários começaram a temer o meu avanço inesperado e foram dificultando as coisas para o meu lado. De repente, notei que estava com 9 pontos - faltava só mais um para ganhar.

Ah, mas não foi dessa vez. Uma das pessoas que jogavam chegou aos 10 pontos, venceu. Eu fiquei com os 9 pontos - inesperadamente consegui atingir esse placar. Enfim, foi bem divertido. Também achei interessante esse quase ganhar. Quase... Quem sabe da próxima!?

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Em primeiro lugar

Ontem, tive um dia bem calmo: não tive muita coisa para fazer. Usei boa parte do tempo para ler, pensar, ficar quieto, ver televisão, essas coisas.

Pela manhã tive tempo de assentar ao piano. Tinha uma melodia na minha mente. Era a canção: "Buscai primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça / Todas essas coisas vos serão acrescentadas / Aleluia, aleluia".

À tarde, deparei-me com uma mensagem na internet exatamente sobre esse tema: buscar o Reino de Deus.

Já era noite, abri o meu devocional e o texto-base era "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua justiça..." (Mateus 6.33).

Vou deixar aqui algumas frases que li sobre isso:

"Buscai primeiro o Reino de Deus". Argumentamos exatamente ao contrário: "Ah, mas eu, eu tenho que viver... Preciso de dinheiro, tenho que me vestir, me alimentar". A nossa grande prioridade não é o Reino de Deus, mas é o como vamos ajeitar nossas vidas. Jesus inverte essa ordem: relacione-se com Deus em primeiro lugar - que essa seja preocupação primeira de nossas vidas; não deposite suas preocupações em outras coisas dessa vida.
Oswald Chambers

sábado, 10 de maio de 2008

Além das conjecturas

"Não havendo profecia, o povo se corrompe"
Provérbios 29.18

Há uma diferença entre manter um ideal e ter uma visão. Um princípio não vem de uma inspiração moral, mas uma visão sim. Pessoas que são totalmente conduzidas por princípios ideais raramente fazem alguma coisa. A minha idéia pessoal acerca de Deus e de Seus atributos pode, na verdade, ser usada como justificativa elaborada para que eu negligencie deliberadamente os meus deveres.

Jonas tentou se desculpar da sua desobediência, dizendo para Deus: "sabia que és Deus clemente, e misericordioso, e tardio em irar-se, e grande em beningidade, e que te arrependes do mal" (Jonas 4.2). Eu também devo ter as minhas certezas a respeito de Deus e de Suas características, mas talvez elas sejam o motivo pelo qual eu deixo de cumprir com os meus deveres. Entretanto, onde há visão, há também vida honesta e íntegra, porque a visão promove incentivo moral.

Nossos princípios idealistas conduzem-nos à ruína. Examine-se a si mesmo espiritualmente e veja se você tem uma visão ou só princípios.

O que um homem alcança deve exceder o que ele pensou. Em outras palavras, o que esperamos do céu?

"Não havendo profecia, o povo se corrompe...". Uma vez que perdemos a visão de Deus, começamos a temer. Abrimos mão de restrições para aquilo que sabemos errado. Deixamos a oração de lado e paramos de ter a visão de Deus nas pequenas coisas do dia-a-dia. Simplesmente, começamos a agir na nossa própria força, por iniciativa própria, sem esperar pela surpreendente intervenção do Senhor. Perdemos a visão.

Será que a nossa atitude hoje é uma atitude nascida da nossa visão de Deus? Estamos esperando que Ele faça coisas maiores do que já fez antes? Há frescor e vitalidade na nossa perspectiva espiritual?

Traduzido de: My Utmost for His Highest - Oswald Chambers

Reaching beyond our grasp

Where there is no revelation [or prophetic vision],
the people cast off restraint . . .

Proverbs 29:18

There is a difference between holding on to a principle and having a vision. A principle does not come from moral inspiration, but a vision does. People who are totally consumed with idealistic principles rarely do anything. A person’s own idea of God and His attributes may actually be used to justify and rationalize his deliberate neglect of his duty. Jonah tried to excuse his disobedience by saying to God, ". . . I know that You are a gracious and merciful God, slow to anger and abundant in lovingkindness, One who relents from doing harm" ( Jonah 4:2 ). I too may have the right idea of God and His attributes, but that may be the very reason why I do not do my duty. But wherever there is vision, there is also a life of honesty and integrity, because the vision gives me the moral incentive.

Our own idealistic principles may actually lull us into ruin. Examine yourself spiritually to see if you have vision, or only principles.

Ah, but a man’s reach should exceed his grasp, Or what’s a heaven for?

"Where there is no revelation [or prophetic vision]. . . ." Once we lose sight of God, we begin to be reckless. We cast off certain restraints from activities we know are wrong. We set prayer aside as well and cease having God’s vision in the little things of life. We simply begin to act on our own initiative. If we are eating only out of our own hand, and doing things solely on our own initiative without expecting God to come in, we are on a downward path. We have lost the vision. Is our attitude today an attitude that flows from our vision of God? Are we expecting God to do greater things than He has ever done before? Is there a freshness and a vitality in our spiritual outlook?

From: My Utmost for His Highest - Oswald Chambers

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Viajar sempre

Chegando ao fim dessa semana, posso concluir mais uma vez sobre o valor do aprendizado.

Aprendi tanta coisa ao longo desses últimos dias. Obviamente, vou acumulando conhecimento. Mas o melhor é poder ver a minha própria vida sendo transformada na medida em que o aprendizado reflete-se em minha vida e/ou vice-versa.

Uma das coisas que não vou esquecer é o novo significado da palavra "viajar". Em uma língua na região da Indonésia, o verbo tem o sentido comum de locomoção, sair de um lugar para outro. Mas "viajar" para eles também significa "lavar os olhos".

E não é isso que tem acontecido comigo?

Ao longo desses quase nove meses aqui na Noruega, os meus olhos tem sido lavados. É bom poder olhar para o mundo assim!

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Da despedida

Não tema a saudade:
despedida é só a possibilidade
de esperar mais intensamente o próximo encontro.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Everything: drama

Last weekend we went to a huge meeting called Russetreff: 600 Norwegian students by the age of 18 years-old which have finished the High School education. We, Hald students, presented a drama. The following video shows what we experienced there.

No último fim de semana, estivemos em um grande encontro chamado Russetreff: 600 estudantes noruegueses com os seus 18 anos, acabando de concluir o Ensino Médio. Apresentamos uma pantomima. O vídeo abaixo mostra o que experimentamos.

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Video by: Paulette Ninko
Music: Everything - Lifehouse

Onde fica meu país?

Acompanhava Cirene até o posto dos correios aqui na Noruega dia desses. Após alguns minutos esperando para sermos atendidos, eis que veio uma moça de aparentemente vinte e poucos anos. Cirene entregou para ela a correspondência que queria enviar para o Brasil.

Duas perguntas a garota fez. A primeira:
- Para onde você quer enviar essas cartas?
Ao que, Cirene respondeu:
- Para o Brasil.
Veio então a segunda:
- Isso fica na Europa?

Respirando fundo e depois de olhar um para o outro com aquele "como assim?" nos olhos, respondemos:
- América do Sul.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

PhotoStory - Português

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Esse é um fotovídeo que produzi no Hald, tentando resumir a experiência aqui na Noruega. Durante a semana, tivemos algumas aulas nas quais pudemos expressar as nossas vivências e sentimentos através das artes: pintura, música e vídeo.

PhotoStory - English

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sábado, 19 de abril de 2008

E a vida continua

Sexta-feira: termina a minha última semana no lugar onde estive nesses últimos seis meses - Karmøy. Esse é o nome da ilha que é bem conhecida por ser um lugar onde há muito vento e bastante chuva. Estranhamente, nesses meus últimos dias por aqui o sol brilhou forte de segunda a sexta e raras foram as nuvens no céu azul.

Chegou a primavera! Depois de frio, escuridão, neve e tudo mais que o inverno europeu oferece, é muito bom poder ver a vida brotando silenciosa. Nos galhos secos das àrvores, começam a aparecer uns pontos verdes. Flores aparecem colorindo o ambiente. Alguns passarinhos já ensaiam sua sinfonia. Interessante ver também que as pessoas já estão diferentes. É notável a diferença no humor das pessoas. Fiquei feliz ao ver crianças brincando do lado de fora; os sons de infância faziam falta.

É esse o cenário que prepara a minha mente e o meu coração para voltar para a minha escola, Hald, na segunda-feira. É tempo de despedir-me daqueles que aprendi a amar ao longo desse tempo. Sou muito grato a cada pessoa que pude conviver e conhecer. A minha vida continua com mais gente perto - mesmo estando longe. Na verdade, acho que não é mais só minha essa vida.

Brighter days

Friday. The week ends up today, my last week in my practice place (Karmøy). The island is well-known for its contradictory weather: rain and wind are staring very often. Incredibly we have had plenty of sunshine in the whole week here.


The spring has come! And it is amazing to see life sprouting again in the dry branches, flowers appearing, birds coming back. People are going out more often and it possible to see some children playing outside. I can notice the difference: brighter days.


This background prepares my mind and heart to go back to Hald. It is also time to say “good bye” for those who I lived with during the last six months. I just want to say "thank you". I am very grateful for everything I could experience and learn during this time together with unforgettable people.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Time flies

The time has gone fast! I just have about one more week here in Karmøy. Six months ago, I came to a totally new place which I haven't been before. During this time, I could feel me at home here. Day after day, I was getting used to a lot of things: new relationships, new family, new friends, new language, new names, new tasks, new food, new habits and so on. Newness!

Soon it is time to say "See you!" for all those things that are not new anymore because they have became a part of me. It is amazing to experience Hald's slogan: go, learn and become. I can assure that it happens! Go and discover the new! Learn from the new! Become yourself new!

I am going to leave home and go back to home at Hald. I am looking forward to meet the others and be together again with this wonderful international family.

E esta é a vida eterna

"Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho te glorifique. Pois lhe deste autoridade sobre toda a humanidade, para que conceda a vida eterna a todos os que lhe deste. Esta é a vida eterna: que Te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. Eu te glorifiquei na terra, completando a obra que me deste para fazer. E, agora, Pai, glorifica-me junto a ti, com a glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse”.
João 17.1-5

Desfrutando da intimidade com o Pai, Jesus se encontra em oração ao proferir essas palavras. Numa conversa de Filho para Pai, ele faz um pedido: "Glorifica o teu filho". O motivo que leva Jesus a essa intercessão é a glória do próprio Pai: "para que o teu Filho te glorifique".

Em João 3.16, encontramos a razão da vinda e vida de Jesus e também de sua morte e ressureição: "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna". Em Jesus, Deus se fez gente e habitou entre nós! Em Jesus, Deus levou sobre si mesmo os nossos pecados! Em Jesus, Deus nos reconciliou consigo mesmo! Ele é o Cristo que venceu sobre a morte e conquistou a vida eterna para todos aqueles que nele crêem!

A oração de Jesus revela a realidade da vida eterna. No versículo 3, ele diz: "E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste". Dessa forma, Jesus faz com que a eternidade invada o nosso presente ("E a vida eterna é esta"), colocando duas questões para nós: temos conhecido o único Deus verdadeiro? Temos conhecido Jesus Cristo? Vale a pena ressaltar que o verbo "conhecer" significa muito mais do que ter informações a respeito ou apenas ouvir falar. Na linguagem bíblica, "conhecer" denota relação íntima e pessoal, ou seja, relacionamento.

Com essas palavras, Jesus convida aquele que ainda não crê a conhecer ao Deus verdadeiro e o Seu amor revelado em Cristo. Para aquele que já crê, o Salvador atenta para o fundamental na vida cristã: desfrutar do relacionamento com o Senhor. O Nazareno fala de vida eterna, portanto, suas palavras também revelam algo sobre o futuro daqueles que crêem no Senhor dos senhores, sobre a eternidade: continua-se a conhecer a Deus e a Jesus.

Por vezes, falar de vida eterna ganha um tom idealizado ou utópico, mas as palavras do Senhor Jesus a respeito daquilo que ele mesmo conquistou para nós chamam-nos à responsabilidade de viver hoje conhecendo ao Senhor!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Concerto

Já há um tempo, estive num concerto de instrumentos de sopro junto de minha família norueguesa. O meu irmão mais novo aqui toca saxofone: ele tem dez anos e já é bem esperto! Junto dele, mais uma dezena de estudantes se apresentaram naquela noite. Depois de muito ensaio, era hora de encarar a platéia – predominantemente, formada por pais e mães – e executar a música que tinham preparado.


O que mais me chamou atenção naquele dia foi a atitude do professor. Ele apresentava cada aluno. Conhecendo o jeito de cada um, deixava-os seguros diante do desafio de tocar em público. Às vezes, ele acompanhava o estudante tocando junto: na verdade, o mestre não tocava a mesma coisa, mas a sua música fazia toda a diferença e se tornava uma com a do aluno. Motivação e encorajamento são também duas características que pude notar. Aliás, essas duas são essenciais em toda a trajetória: do começo dos ensaios até a apresentação.


E é nessa situação simples que pude entender um pouquinho mais do que o meu Deus faz por mim e é para mim. Sim, Ele é o meu mestre. Eu apenas estou aprendendo a utilizar o meu instrumento, que é minha vida, de acordo com as instruções dAquele que sabe muito sobre ela. O meu mestre é o autor da vida. E Ele me deu algumas lições:


-Ele me conhece muito bem;
-Ele faz com que eu me sinta seguro, não por mim mesmo, mas por Ele;
-Ele me motiva e me encoraja na comunhão com Ele;
-Ele está junto de mim, não faço nada sozinho;
-Ele age além da normalidade, muito além daquilo que eu entendo;
-Ele nos conduz e nos desafia também.

terça-feira, 25 de março de 2008

Hoje ainda é Páscoa

Nessa Páscoa, estive num acampamento de famílias em Mesnali. De Karmøy até Lillehammer, é uma viagem bem longa: duas horas de ônibus até Stavanger, oito horas de trem de Stavanger até Oslo e mais duas horas e meia de trem de Oslo até Lillehammer, sem contar os quarenta minutos de Lillehammer até Mesnali. Assim, lá fomos eu e Cirene para essa jornada! Na verdade, essas viagens oferecem para nós duas coisas: conhecer pessoas diferentes e visitar lugares diferentes na Noruega. E durante essas idas e vindas muita coisa acontece.

Eu gosto de surpresas e uma boa me aconteceu na semana passada. Passando por Stavanger - uma das cidades mais bonitas e acolhedoras que eu conheço! - pude encontrar uma amiga que não via há quatro anos. Nós estávamos juntos no Projeto Missionário da Missão Zero em 2004 lá em Teresina-PI. Ela é de Brasília e eu de Juiz de Fora. Quem diria que eu encontraria a Raquel por aqui na Noruega!? Tivemos um tempo muito bom juntos, compartilhando as experiências ao longo desses anos. Ela mora aqui desde fevereiro. Eu e Cirene passamos o dia com ela enquanto aguardávamos o nosso trem que partiria de noite.

Outra surpresa que me ocorreu foi no trem. Nossos vizinhos de trás eram dois adolescentes que decidiram conversar ao longo de todo o percurso. Quer dizer, não 'todo o percurso', mas quase. A Cirene não teve problemas para cair no sono, mas eu, cochilo após cochilo, ouvia a conversa dos meninos. Uma explicação se faz necessária: ouvia porque eles falavam alto mesmo. Todavia, eu tenho aprendido a ser positivo e, por isso, procurei dizer para mim mesmo: "Ok, Edson, ok! Pelo menos você consegue entender o que eles falam em norueguês. Não é uma grande coisa!?".

O dia levantou-se e estávamos em Oslo. Indo de um trem para o outro: Lillehammer, lá vamos nós! O sol brilhava pelo caminho e permitiu a visão de paisagens maravilhosas ao longo dos trilhos. A neve tinha desenhado cada vista incrível: predominantemente branco pela neve somado ao azul do céu. Cenas que ficaram na minha memória.

Chegando em Lillehammer, pudemos conhecer um pouco a cidade, enquanto esperávamos pela carona que nos levaria até Mesnali, onde aconteceria o acampamento. Pelas ruas, fomos conhecendo a cidade que acolheu os Jogos Olímpicos de Inverno em 1994.

O acampamento de famílias começou na quarta e durou até o domingo. Foi uma oportunidade para conhecer mais os noruegueses e seus hábitos. Outra coisa legal que pude experimentar: conversei com pessoas cujo dialeto é bem diferente e, felizmente, pude entendê-las. Na Noruega, o povo gosta muito de falar da própria língua e são muito orgulhosos do seu dialeto - que varia muito de lugar para lugar. Outra coisa marcante e que me fez conhecer mais dessa terra: -15 graus Celsius. Pela primeira vez na vida experimentei uma temperatura dessas! Muita neve onde quer que eu olhava e pisava. Sem falar no esforço que é ficar de pé no chão congelado. De fato, eu me esforcei, mas nem sempre funcionou e eu tive que cair mesmo.

Ao mesmo tempo que acontecia o acampamento de famílias, acontecia um encontro para líderes de jovens numa escola perto de onde estávamos. Alguns dos nossos amigos do Hald estavam por lá: Gladys e Rock (Madagascar) e Charles e Roger (Camarões). Foi muito bom revê-los e conversar. Apesar de não estarmos oficialmente no encontro, pudemos visitá-los numa noite e ter conversas muito edificantes junto dos noruegueses também.

Um dia eu e Cirene fomos esquiar. Fomos em um dia só porque estava muito frio para nosso termômetro corporal brasileiro. Daí, encontrei uma coisa escrita na neve: 'Jesus lever' (Jesus vive). Fiquei feliz ao ver que alguém tinha parado por ali, deixando essas duas palavras que me fizeram lembrar da razão da Páscoa. Continuei esquiando e, um pouco adiante, encontrei: 'Jesus lever ikke' (Jesus não vive). Que contraste! Certamente, a neve não reclamou de ambas expressões. Mas meu coração se entristeceu ao ler aquelas três palavras, pois pensei no quanto nós, homens e mulheres, ainda rejeitamos o amor de Deus revelado em Jesus. Mas, como já falei, tenho aprendido a ser positivo. Portanto, dessa situação aprendi que precisamos sim fazer a boa nova do Evangelho conhecida e experimentada no poder do Espírito Santo hoje em dia! Vamos declarar que Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, que tira os meus e os nossos pecados e nos reconcilia com Deus.

No domingo, comecei minha viagem de volta para casa. Quando cheguei em casa, fiquei supreso pela paisagem que a neve tinha criado na área em que moro. Lembrei de Isaías 1.18: "ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve". Verdadeiramente, hoje ainda é Páscoa.

Coloquei algumas fotos no post "Today is still Easter".

Today is still Easter

I went to a Family Camp on this Easter in Mesnali. From Karmøy to Lillehammer, I have experienced a long journey together with Cirene, my teammate. Those trips mean a lot for us: it is an opportunity to get in contact with different people and to know different places too. But many things can happen during the trip also.

I like surprises and a good one happened to me last week. In order to take the train to Oslo, we passed by Stavanger - that is in my personal opinion one of the most beautiful and 'koselig' towns I have known. And it was there I could meet a friend who I have not seen for four years. We went together in a missionary project in Brazil in 2004. She is from Brasília and I am from Minas Gerais and after the project, we had not met again. I could talk and have a great time together with Raquel. She has lived in Norway since February. I, Cirene and she spent the day together while the teammates waited for the "natt tog".

Another surprise happened while we were on the train. Our back-seat-neighbors: two teenagers. And they decided to talk the whole route. Ok, not "the whole" but almost. Cirene had no problem for sleeping but I: nap after nap I could hear their talking. I have learned to be positive and I could practice it saying to myself: "Ok, Edson, ok. At least you can understand what they are talking in Norwegian". Was not it true?

The day rose and we woke up in Oslo. Going out from one to another train: Lillehammer, here we go! The sun gave us the opportunity to see many breathtaking views: predominantly white and mixed with a blue sky.

When we got to Lillehammer, we got also the opportunity of knowing the town while we waited for a ride up to Mesnali. Walking through the streets, we could know the city that welcomed the Winter Olympic Games in 1994.

The Family Camp started and it was nice to know more about Norwegians and their habits. I can not deny that I could know more about Norway too: -15 Celsius degrees. The lowest temperature I have experienced in my life! Something I can not forget: a lot of snow. Everywhere you looked you could see snow, snow and more snow. Without talking on the frozen floor and the effort I have done in order to remain standing, but it did not work three, four or more times…

Simultaneously, another meeting happened near of us. It was a youth leader meeting and Gladys, Rock, Roger and Charles were there together with Norwegians. It was nice to meet them and talk. We were not attending the meeting, but we got the opportunity one evening to join them and it was very nice.


One day I went out for skiing and I could read something on the snow: 'Jesus lever' (Jesus lives). I was happy for seeing this: some skier stopped for a while and wrote two words that remember me what is Easter about. So, I moved on and I found ‘Jesus lever ikke’ (Jesus doesn’t live). What a contrast! Of course, the snow would not neglect both expressions, but my heart gets sad when I see that we, human beings, still reject the God’s love revealed in Jesus Christ. But, as I said, I have learned to be positive. It means that we need to make the Good News known by the power of the Holy Spirit today! Let’s declare that Jesus is the Lamb of God, He is the one who takes our sins and reconciles us with God.

Yesterday, I started my journey back-home. I got home today and quite surprised because the snow has painted a different landscape in the area I am living in during the time I was out. I remember Isaiah 1:18 “Though your sins are like scarlet, they shall be as white as snow”. Truly Jesus lives and redeems us.