sábado, 31 de janeiro de 2015

Um convite ao louvor

No Salmo 148, faz-se um convite a que tudo o que há na terra louve ao Senhor. Em meio a todos os elementos que são chamados a adorar a Deus, o salmista afirma: "Louvem todos o nome do Senhor, pois somente o seu nome é exaltado; a sua majestade está acima da terra e dos céus" (Sl 148.13).

A descrição de toda a criação louvando ao Criador se destaca no salmo. É impressionante perceber que coisas gigantescas, aos olhos humanos, são convidadas a render-Lhe louvor. Contudo, diante do Senhor, todas elas e também nós não passamos de pequenas instâncias.

O Senhor é excelso! Ele supera toda a criação em esplendor, em glória e em majestade. O próprio nome dEle é glorioso e inunda a criação, levando-a a Ele mesmo em adoração.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

E a Reforma continua...

Em 31 de outubro de 1517, o monge agostiniano Martinho Lutero afixou na porta da Catedral de Wittenberg, na Alemanha, as 95 Teses (Disputação do Doutor Martinho Lutero sobre o Poder e Eficácia das Indulgências). A ideia era convocar um debate teológico sobre penitência, indulgências e a salvação pela fé. Contudo, a partir dessa publicação, uma série de eventos se deram que conduziram o Cristianismo a um intenso processo de discussão e à sua cisão.
           
Por que Lutero publicou as teses? Desde os primeiros anos no seminário, preparando-se para a vida como padre, ele experimentava uma angústia, sentindo-se indigno da tarefa por ser pecador. Nesse tempo, um mentor lhe aconselhou a fixar sua atenção exclusivamente em Cristo, pois o Redentor sim teria como lhe ofertar direção. Aos 27 anos, Lutero fez uma visita a Roma, centro do Catolicismo mundial, e de lá voltou muito abalado pelo que viu: venda de indulgências, comércio de coisas sagradas, ostentação do clero, corrupção, enfim, práticas tidas por “cristãs”, contudo, muito distantes daquilo que Jesus instruíra. Após essa experiência, ele regressa à Alemanha e se dedica ao estudo e ao ensino bíblicos na Universidade de Wittenberg, buscando entender suas inquietações.

Foi através do dedicado estudo da Bíblia que Martinho Lutero chegou a um esclarecimento acerca daquilo que lhe inquietava. Certa vez, enquanto ele preparava suas aulas, leu o Salmo 22, que aparece no apelo de Cristo na cruz, e percebeu que esse clamor era semelhante ao seu, sentindo-se desamparado por Deus. Tempos depois, estudando o texto da Carta de Paulo aos Romanos, Lutero leu “O justo viverá por fé” (Rm 1.17). Ele mergulhou nesse texto... Finalmente, percebeu que a salvação não era para gerar nos homens medo de Deus, nem para que os dogmas religiosos escravizassem os homens, antes disso, ele entendeu que é apenas a fé que pode salvar. E assim que começa a reforma da vida de Lutero que acaba levando à Reforma Protestante.
           
A Reforma não é apenas um evento histórico que atingiu o Cristianismo no século XVI e ficou por lá. Certamente, as consequências sociais, culturais, econômicas, dentre outras, são flagrantes. Contudo, é fundamental pensar que a Reforma surge com uma proposta de reestruturar a Igreja, com “i” maiúsculo, o Corpo de Jesus Cristo, o povo que confessa Cristo Jesus como Senhor e Salvador, como o caminho, a verdade e a vida. Portanto, a Reforma tem a ver com pessoas.

Assim, é importante olharmos para a Reforma como um chamado que ainda hoje ressoa, convidando-nos a ressaltar a soberania de Deus, lembrar nossa condição pecaminosa e necessidade de salvação, dinamizar nossa vivência da fé e permanecer firmados em Cristo até que ele volte.

As ênfases da Reforma Protestante ficaram conhecidas como “Os 5 Solas”, expressões em latim que enfatizam as convicções essenciais da fé cristã. São elas: Sola Scriptura (“Somente a Escritura”) – Somente a Bíblia é autoridade de fé e de prática; Sola Fide (“Somente a Fé”) – Somos salvos somente pela fé em Cristo; Sola Gratia (“Somente a Graça– Somos salvos somente pela graça de Deus; Solus Christus (“Somente Cristo”): Jesus Cristo somente é nosso Senhor, Salvador e Rei; e Soli Deo Gloria (“Somente para a glória de Deus”) – Vivemos somente para glorificar a Deus.

Os 5 Solas representam um chamado à transformação de nossas vidas e à redescoberta do Evangelho. Percorrendo as Escrituras, nós encontramos as bases dos 5 Solas:

Sola Scriptura
Romanos 15.4; 2 Timóteo 3.16-17

Sola Fide e Sola Gratia
Romanos 1.17; Efésios 2.8

Solus Christus
João 1.1-4; Hebreus 7.22-25; Romanos 8.34; Atos 4.12.
           
Soli Deo Gloria
            1 Coríntios 10.31

Os 5 Solas nos ajudam a:

            1)    ressaltar a soberania de Deus:
Escritura – voz de Deus.
Fé – dom de Deus.
Graça – favor de Deus.
Cristo – Cordeiro de Deus.
Glória – Devida a Deus.

2)  lembrar nossa condição pecaminosa e necessidade de salvação: Pecado é aquilo que é intrínseco ao nosso ser, uma disposição existencial para viver longe de Deus. É diferente de ações (pecados). Estas são consequências da causa maior, o pecado, integrante do ser humano.
Escritura – confronta as mentiras deste mundo.
Fé – reação à condição de rebeldia contra Deus.
Graça – quebra a ideia de barganha com Deus.
Cristo – denuncia nosso egoísmo, revela nossa insuficiência.
Glória – convite ao quebrantamento e à humilhação.

     3)   dinamizar nossa vivência da fé:
Escritura – amparar-nos na verdade, na voz do Senhor.
Fé – conhecer e prosseguir no conhecimento de Deus.
Graça – transformar nossa percepção (gratidão, louvor, perdão etc.).
Cristo – Senhor absoluto que nos chama à missão, ao testemunho, ao serviço.
Glória – “porque dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas” (Rm 11.36).

Como se pode perceber, a Reforma nos desafia a considerar as Escrituras, a fé, a graça, Cristo e a glória divina como fundamentais na nossa caminhada cristã. Em 1 Pedro 3.15, temos uma exortação: “Estejam sempre prontos para responder a qualquer pessoa que pedir que expliquem a esperança que vocês têm.” (NVI). É muito importante saber o que cremos para vivermos uma fé autêntica e darmos testemunho daquilo que o Senhor tem feito em nossas vidas.

A Reforma continua... Sim, ela se faz nova de novo quando, com fé, aproximamo-nos das Escrituras, ouvindo a voz de Deus. A Reforma continua... Sim, ela se faz nova de novo quando experimentamos a graça de Deus. A Reforma continua... Sim, ela se faz nova de novo quando caminhamos com Cristo, ouvindo atentamente a sua voz e nos tornando semelhantes a ele. A Reforma continua... Sim, ela se faz nova de novo quando decidimos viver de modo obediente ao Senhor, santificando o nome de Deus na terra assim como ele é santo no céu, para a glória do Seu santo nome, permanecendo em Cristo até que ele, em breve, volte. 



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A mulher adúltera

Texto bíblico: João 8.1-11.

No contexto narrativo em que a história da mulher adúltera se apresenta, encontramos Jesus sofrendo pressões e perseguições dos religiosos judeus em Jerusalém (conforme se pode ver em Jo 7.14-36). No momento em que todos partem para suas casas (João 7.53) a fim de descansar, pois já era noite, o Messias vai para o Monte das Oliveiras. Afinal de contas, quem se habilitaria a hospedar um homem tão polêmico e perseguido pelos chefes judeus? Quem se comprometeria por acolhê-lo, ofertando-lhe abrigo? Poucos o faziam... E não era interesse do Nazareno promover uma revolta popular contra os poderosos daquele tempo. A revolução que ele veio fazer não era uma revolução temporal, mas sim uma revolução eterna.

Ao passar, provavelmente, a noite em oração no Monte das Oliveiras, ainda de madrugada, Jesus volta ao templo para cumprir sua tarefa de pregador. E ele o faz de modo diligente, comprometido, constante, voltando novamente ao encontro das pessoas que queriam aprender dele e com ele sobre o Reino de Deus.

Podemos perceber e destacar três situações na disposição de Cristo para a pregação. Em primeiro lugar, destaca-se o tempo. Jesus ia logo bem cedo para sua tarefa. Apesar da noite dormida longe, ele começa cedo a servir ao Pai e ao próximo, bem antes da maioria. Em segundo lugar, destaca-se o lugar. Jesus ensinava no templo. Isso não quer dizer que lá era um lugar especial que conservava algum poder sagrado, não, o Messias ensina no templo porque lá era um lugar cheio de gente e disputado por muitos mestres distintos. As pessoas estavam ali, portanto, Jesus fazia questão de estar lá com elas. Em terceiro lugar, destaca-se a postura. O Senhor ensinava assentado, sinalizando autoridade, como faziam os principais mestres daqueles dias. Portanto, o tempo, o espaço e a postura de Cristo ao ensinar o povo mostram e confirmam sua radical obediência ao Pai e seu dedicado amor pelas pessoas.

E é interessante perceber que, apesar de Jesus chegar ao templo bem cedo, as pessoas vinham até ele e lá permaneciam em sua companhia. Cristo atrai as pessoas! Sua presença é contagiante e cativa aqueles que a experimentam. Aprendemos, com essa situação, que aqueles que o buscam cedo o encontram.

Provavelmente, em meio aos que ouviam atentos a Jesus, não havia muitos poderosos, nem pessoas de destaque... Mas a atenção dele se voltava total e irrestritamente para aqueles que, com coração sincero, lá estavam para com ele aprender.

No versículo 3 de nosso texto, os fariseus e os escribas surgem. Contudo, eles não se aproximam de Jesus para ouvi-lo, antes, eles o fazem para coloca-lo à prova, preparando-lhe uma armadilha. Ironicamente, chamam Jesus de “Mestre”. Em João 7.47, os mesmos religiosos tinham-no chamado de enganador. Esses homens trazem até a presença de Jesus uma mulher que tinha sido pega em adultério. Interrompendo o ensino, eles a colocam sozinha diante do Messias, como se ele fosse um juiz. Na tentativa de mostrarem zelo contra o pecado, os fariseus se esqueceram de que também eles são pecadores. É comum que aqueles que se esquecem da sua pecaminosidade sejam severos para os a pecaminosidade dos outros.

Esse zelo dos fariseus se demonstra pelo apego à tradição da lei judaica. Em Levítico 20.10 e em Deuteronômio 22.21-22, havia a determinação da pena de morte por apedrejamento para aqueles que cometessem adultério entre os israelitas. Esse pecado concentra sua vileza por ser uma rebelião do desejo humano, violando a aliança estabelecida por Deus na união entre um homem e uma mulher. Jesus não deixou de tocar nesse assunto quando, no Sermão do Monte (Mateus 5.27-28), disse que o adultério é o próprio olhar malicioso e não apenas o ato em si.

De volta à cena, o Nazareno está em uma cilada. Se ele confirmasse a sentença de morte para aquela mulher, ele contradiria o caráter manso e misericordioso de sua pregação messiânica, além disso, seria condenado pelas autoridades romanas por sentenciar pena de morte sem autorização do império. Se ele liberasse a mulher flagrada em adultério, ele seria condenado pelos judeus por contrariar a lei de Moisés, testemunhando contra ela e contra os profetas que o precederam. De um lado, ele poderia mostrar desconsideração pela lei judaica, de outro, poderia contradizer sua pregação de paz e de misericórdia. O que fazer? Que dilema! Jesus era visto como o “amigo dos pecadores”, mas isso não quer dizer que ele apoiava o pecado. Muito pelo contrário. Ser amigo dos pecadores era o modo pelo qual Cristo demonstrava sua profunda identificação com os homens, mas sua santidade radical o diferenciava dos demais sujeitos.

O método da resposta de Cristo à cilada dos religiosos diante daqueles que com ele aprendiam sobre o Reino de Deus vale a pena ser analisado. Inicialmente, Jesus parece desconsiderar a questão que lhe foi proposta, inclinando-se e escrevendo na terra com o dedo*. Ao não responder imediatamente à questão, Jesus revela conhecer e discernir as intenções daqueles que perguntam. Ele sabia o que se passava nos pensamentos dos seus questionadores. Seus opositores insistiam mais e mais...

Depois dessa pausa e dessa aparente hesitação, Jesus responde: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire a pedra.” Silêncio. A palavra de Cristo revela o coração e a condição pecaminosa de todos aqueles que acusavam a mulher adúltera. Nesse gesto, Cristo destrói a armadilha que lhe foi armada e mantém incorruptível seu caráter e sua pregação. Os religiosos caíram na própria armadilha que armaram para Jesus: eles vieram para acusá-lo, mas saíram acusados por si mesmos. Um após o outro, os acusadores, acusados pelo próprio pecado, retiram-se daquele lugar. A palavra de Cristo nos convence do pecado (Hebreus 4.12). Não adianta fugir dele, pois ele mesmo é o único que pode revelar e sanar nossa pecaminosidade. Ele é o justo juiz! Ele é o nosso redentor! (Jó 19.25)

A mulher fica a sós com Jesus: é com ele que ela tem de lidar agora. “Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire a pedra.” Diante dessa palavra, apenas Cristo fica frente a frente com a mulher. Ele é o justo, santo e perfeito. Nele não há pecado. Ele é a justiça de Deus. No meio daquela multidão, apenas Cristo estava habilitado a atirar a primeira pedra, porque só ele não tem pecado. Ele, então, lança a sua “pedra”: “Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?”. Ela responde: “Ninguém, Senhor!”, em uma resposta reverente, reconhecendo-o como Senhor. Prossegue Jesus: “Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais.” Ela está livre da condenação. Ela está livre do peso do pecado. Ela está livre para viver segundo a vontade do Senhor. Ao dizer “Nem eu tampouco te condeno”, Cristo demonstra graça para com a mulher adúltera e, ao dizer “vai e não peques mais” ele a admoesta sobre como viver segundo a graça (vide também Isaías 55.7 e Romanos 6.1 e 2). Em João 3.17, vemos que a missão do Filho é salvar, não julgar, e Cristo cumpre essa missão. Em Mateus 9.6, vemos que o Filho do Homem tem autoridade para perdoar pecados. Os fariseus que vieram questionar o ministério e a obra de Cristo permitiram que, mais uma vez, ele mostrasse quem de fato ele é.

Aquele que poderia acusar, perdoa. Aquele que poderia condenar, liberta. Aquele que poderia matar, faz reviver. Em seu encontro com a mulher que era adúltera, Jesus se revela como santo e conhecedor dos nossos pecados. Cristo não os nega, antes disso, ele os perdoa. Com o perdão ofertado à pecadora, Cristo a convida para nascer de novo. O perdão não nega o pecado, do contrário, encara-o e soluciona-o, exterminando a condenação e o peso que ele gera, revelando a condição miserável em que estamos e nos convidando à novidade de vida no encontro pessoal com Jesus Cristo.

*Esta é a única ocorrência que relata Jesus escrevendo. Há outras ocorrências, no Antigo Testamento, tratando de Deus escrevendo: Êxodo 20, as tábuas da lei são escritas pelo dedo de Deus, e em Daniel 5, a escritura na parede “MENE, MENE, TEQUEL PARSIM”, declarando a ruína do reinado de Belsazar. Assim, no AT, há associação da escrita ao juízo divino. O que, no caso do NT, pode também ser observável.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Anima amiga

a Fabiane Prata

Sorriso no olhar avisto
já me alcança afeto, sim.
Contente o imprevisto vivo,
amizade dela em mim.

E se um'alma a outra vê sempre,
palavras calam o que
diz o olhar confidente
de amigos por seu querer.

Comigo levo a memória
de vida, de dias nossos.
Lembro, no eterno agora,
amigos, ora, já somos.

sábado, 25 de maio de 2013

Jeito de menino

Caminhava atento às obrigações do dia naquela tarde de quarta-feira. O centro da cidade não é lugar para um andar bobo e tranquilo. E foi essa consciência que me enganou. A agitação do outro lado da vidraça não me fez passar incólume àquilo que acontecia. De dentro do ônibus, assentado junto à sua mãe, o sorriso de um garoto distribuía acenos e alegrias a mim. Ele, nos seus 4 ou 5 anos de idade, desconsiderava o fato de conhecer-me ou não, gratuitamente, ofertou-me afeto. Eu, na distância da calçada, olhei em seus olhos e contagiei-me com a sua alegria. Correspondi-lhe a generosidade do gesto. A cena foi breve como a vida, deu fôlego àquele restante de dia. O menino me ensinou que é preciso estar mais que atento para perceber as bobeiras de meu cotidiano.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Da seara e dos trabalhadores: um chamado à oração e à missão

Texto bíblico: Mateus 9.35-38


      Você já imaginou como era a rotina de Jesus? Você já pensou como eram os seus dias? Convido você a fazer esse exercício a partir da nossa leitura e meditação bíblicas de hoje. Imagine-se ali com o Senhor, vendo-o andar de um lado para o outro... Ele se encontra com todo tipo de gente pelo caminho: homens, mulheres, crianças, religiosos, cobradores de impostos, pescadores, prostitutas, ricos, pobres, gente sã, gente doente etc. Com toda gente Jesus conversa. A toda gente Jesus se doa. Com toda gente Jesus se importa. A toda gente Jesus cura, liberta, restaura e salva.
      Ao longo dos três anos de missão pública em Jerusalém e suas redondezas, Cristo mostrou que seu ministério era marcado pela disposição de ir ao encontro das pessoas e de suas necessidades. No nono capítulo do evangelho de Mateus, acompanhamos um relato detalhado de vários exemplos que comprovam essa missão de Jesus. Vou enumerar, a seguir, os encontros e as ações de Jesus que o evangelista destaca nesse capítulo:
      ·         Jesus curou um paralítico em Cafarnaum (v.1-8);
      ·         Jesus chamou Mateus para ser seu discípulo (v.9);
      ·         Jesus comeu com os cobradores de impostos e com os pecadores (v.10-13);
      ·         Jesus conversou com os discípulos de João Batista sobre o jejum (v.14-17);
      ·         Jesus ressuscitou a filha de Jairo, chefe da sinagoga (v.18, 23-26);
      ·         Jesus curou uma mulher que sofria, há doze anos, de uma hemorragia (v.19-22)
      ·         Jesus curou dois cegos (v.27-31);
      ·         Jesus libertou um rapaz endemoninhado da mudez (v.32-34);
      ·         Jesus motivou os discípulos à missão (v.35-38).
O dia-a-dia ao lado de Cristo, certamente, devia ser muito intenso e marcado pelo inesperado. Ao lermos o nono capítulo do evangelho de Mateus, percebemos a intensidade que marcou a vida do Bom Pastor e, sem dúvida, também a vida de seus seguidores. E hoje? Por onde anda Jesus? Com quem ele tem se encontrado? O que ele tem feito em nossos dias? Ele ainda age assim? Vamos seguir com essas perguntas por enquanto...
O trecho a que vamos dedicar especial atenção agora é o final dessa intensa descrição das andanças e ações de Jesus. Vamos ler atentamente Mateus 9.35-38. Ao longo desses quatro versículos, percebemos a seguinte organização na fala de Jesus que Mateus relatou:
      ·         v.35: Resumo da missão e das ações de Jesus;
      ·         v.36: O olhar de misericórdia de Jesus para com as multidões;
      ·         v.37: Jesus ensina os discípulos a respeito da seara;
      ·         v.38: O chamado à intercessão e à missão.
O versículo 35 de Mateus 9 sintetiza tudo aquilo que o evangelista listou em detalhes ao longo do capítulo, recuperando, com poucas palavras, o histórico de conversa, de ensino, de pregação do Evangelho do Reino de Deus, de curas, de libertação que marcou a caminhada de Jesus pelas cidades e pelos povoados.
É interessante percebermos que, embora tenha feito tanto naqueles dias, o Messias para, olha e enxerga que as multidões permaneciam carentes, “como ovelhas que não têm pastor”. O versículo 36 nos revela o olhar compassivo, o olhar misericordioso de Jesus para com as necessidades das pessoas. Apesar de viverem cercados por uma sociedade altamente marcada pela religiosidade, as pessoas de quem Jesus tem misericórdia são carentes de um pastor. Falta-lhes alguém que lhes pastoreie e seja pastor “segundo o coração de Deus”.[1] O Senhor, o Bom Pastor[2], conhece as necessidades mais profundas de seu rebanho e, no gesto de observar a multidão, percebe que há muita necessidade em cada uma daquelas pessoas.
No versículo seguinte, Jesus muda de metáfora: inicialmente, ele falou de ovelhas sem pastor; agora, ele fala de colheita e de trabalhadores, ceifadores. O versículo 37 traduz uma fala de Cristo aos seus discípulos, alertando-os para a realidade do Reino de Deus. No evangelho de João, ele diz: “Abram os olhos e vejam os campos! Eles estão maduros para a colheita.”[3] O que Jesus ensina aos discípulos com essa afirmação? O Senhor ensina que é necessário reconhecer a mão de Deus em ação na história, no cotidiano. Em outras palavras, Jesus diz aos discípulos de ontem e de hoje que há ainda muito trabalho a ser feito, porque ele cumpriu a sua parte.[4] Então, o que faz a colheita ser grande? O clamor intenso das multidões por instrução espiritual é grande e, por isso, cria uma seara grande, que necessita de trabalhadores ativos e dedicados. Cristo é o Senhor da seara!
Por fim, no versículo 38, Jesus motiva seus discípulos à intercessão, encorajando-os a clamar ao Senhor da seara para que envie trabalhadores para a colheita. Que é a seara? Quem são os trabalhadores? A seara, podemos dizer, é a pregação do Evangelho neste mundo, o anúncio do Reino de Deus, a vivência e o testemunho de que Jesus Cristo é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.[5] A seara é a intervenção de Deus na história da humanidade que se deu, de modo pleno e decisivo, no envio, na vida, na morte e na ressurreição de Jesus Cristo. E os trabalhadores da messe? Quem são? Eu e você, discípulos de Jesus Cristo, somos chamados à cooperar na seara do Senhor! Digo “cooperar” propositalmente, porque é o próprio Deus que vai à nossa frente e prepara todas as coisas de acordo com a sua vontade boa, perfeita e agradável. Na tarefa de viver e de anunciar o Evangelho, o Espírito Santo opera, gerando convencimento do pecado, da justiça e do juízo.[6] Nossa tarefa é sermos obedientes àquilo que o Senhor da seara pede de nós!
Talvez, eu e você nos sintamos um tanto quanto incapazes para cooperar com Cristo. As razões podem ser variadas, mas quero lembrar a você a história de Isaías, profeta que Deus usou para anunciar muito acerca de Jesus Cristo. Em Isaías 6.1-8, lemos o chamado do profeta. Observe que, no versículo 5, Isaías, ao ser impactado com a presença e a santidade de Deus, reconhece que é pecador (“Ai de mim! Estou perdido!”) e reconhece que vive em meio ao pecado (“vivo no meio de um povo de lábios impuros”). Todavia, isso não o tornou inapto para servir ao Senhor, pois Deus mesmo o purificou e o perdoou (v.6 e 7) e, em seguida, perguntou “Quem enviarei? Quem irá por nós?” (v.8). Ao ouvir esse desafio do Senhor, Isaías reconheceu que Deus o estava chamando para cooperar na Sua obra. Em contrição e em obediência, ele responde: “Eis-me aqui. Envia-me!”
E hoje? Por onde anda Jesus? Com quem ele tem se encontrado? O que ele tem feito em nossos dias? Ele ainda age assim? Deixamos essas perguntas em algumas linhas atrás e quero retomá-las agora. Creio firmemente que Jesus continua passeando pelas ruas, enxergando as pessoas e as suas necessidades aqui e ali. Creio firmemente que ele habita em nós, seus discípulos, pois comemos do seu corpo, bebemos do seu sangue,[7] temos sua mente[8] e ele vive em nós.[9] Assim, por Cristo, somos chamados a ser presença do Bom Pastor para a multidão aflita e exausta de nossos dias.
Para concluirmos, quero pensar com vocês em uma realidade que é nossa responsabilidade. No tempo de Jesus, estima-se que a população de Nazaré era algo em torno de 150 mil pessoas e, mundialmente, havia 170 milhões de indivíduos. Hoje, no mundo, somos 7 bilhões de pessoas. Atualmente, 27% da população mundial[10] ainda não foi alcançada pelo Evangelho. E, dentre esse total, 86% das pessoas são muçulmanos, hindus ou budistas que nem sequer conhecem pessoalmente um cristão que lhes fale do amor de Deus ou os demonstre isso em ações.
Creio que algumas perguntas podem nos ajudar a buscarmos a orientação do Senhor e a, em obediência e em submissão à Sua vontade, respondermos ao chamado de sermos trabalhadores em Sua seara. Vamos, sinceramente, responder a estas perguntas:
      ·         O que conheço de Jesus que posso contar aos outros?
      ·         Quem são as pessoas que Deus tem trazido até mim hoje?
      ·         E quem são as pessoas a quem Deus me manda ir?
      ·         Eu tenho enxergado as necessidades daqueles ao meu redor?
      ·         Como eu posso ser um trabalhador na seara do Senhor?
Finalizando, sugiro que oremos ao Senhor para enviar trabalhadores para a Sua seara. Ore para que Deus desperte gente aqui e acolá! E, também, esteja sensível para perceber o chamado à missão que Ele faz a você hoje.




[1] Conforme Atos 13.22: “Depois de rejeitar Saul, levantou-lhes Davi como rei, sobre quem testemunhou: ‘Encontrei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração; ele fará tudo o que for da minha vontade’”.
[2] João 10.10 e 10.14.
[3] João 4.35.
[4] “Jesus disse: ‘Está consumado!’Com isso, curvou a cabeça e entregou o espírito.” (João 19.30)
[5] João 1.29.
[6] João 16:8.
[7] Lucas 22.19-20.
[8] 1Coríntios 2.16.
[9] Colossenses 1.27.
[10] 1.750.000.000 pessoas.

terça-feira, 2 de abril de 2013

O olhar do Gólgota

Edvard Munch, Gólgota, 1900
Óleo sobre tela. 80 x 120 cm.
Munch Museu, Oslo, Noruega.

O azul, em companhia do roxo e do preto, compõe a parte superior da tela, contrastando com a massa multicolorida embaixo. A tensão das pinceladas que constroem a massa anil se traduz nas linhas distorcidas que orientam a composição das personagens participantes da obra. O elemento pictórico que conjuga céu em tensão e terra em dispersão é, basicamente, o traço verticalizado cruzado com a linha horizontal. Destacado mediante uma luminosidade amarelada em oposição ao sinistro predominante no quadro, esse componente ocupa o cerne da imagem. Na pintura, uma sensação de convergência leva os nossos olhos ao centro da tela e, nele, encontramos o crucificado.
Os perfis de homens e mulheres, sugeridos aos pés da cruz, parecem compor um cenário multicultural, mesclando gente de tribos, povos e etnias variados. Além disso, eles têm distintas posições ante o acontecimento. Alguns parecem ser levados, capturados pelo evento, dissolvendo-se em rendição, perdendo-se e fundindo-se aos outros; alguns se mostram chorosos, contritos, quiçá, em lamento pela violência da cena; alguns, ainda, parecem rir, em uma sugestão de satisfação e/ou zombaria diante da execução daquele homem no madeiro; por fim, alguns aparentam indiferença, desviando-se da situação, ou melhor, da necessidade de olhar para ela e se afetar.
Foi assim que Edvard Munch (1863-1944), pintor norueguês, escolheu contar a história da crucificação de Jesus Cristo em seus dias. Gólgota tem estado em meu olhar já faz tempo e, desde quando a encontrei, percebo que muito ela comunica estética e religiosamente – no melhor sentido das palavras. Neste ano, refletindo sobre a paixão do Messias, voltei-me à tela a partir do seguinte versículo, no qual Jesus mesmo diz: “quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim.” (João 12.32) Encontrei uma conversa entre esse trecho das Escrituras e a pintura de Munch. Penso que essa atração da qual Jesus falou consegue ser ilustrada no exercício pictórico realizado.
É interessante notar a sugestão de povos distintos naquele cenário. Nessa representação, parece ecoar a descrição profética que o próprio João faz daquilo que Cristo veio fazer no mundo: “olhei, e diante de mim estava uma grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, de pé, diante do trono e do Cordeiro, com vestes brancas e segurando palmas. E clamavam em alta voz: ‘A salvação pertence ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro’" (Apocalipse 7.9 e 10). O Monte da Caveira, o Gólgota, foi onde o Cordeiro de Deus se doou e se entregou, morrendo a nossa morte, pagando o preço dos nossos pecados, dando sua vida para que tenhamos vida eterna, atraindo todos os homens para si.
O artista faz questão de deixar pessoas terem reações diferentes perante a cruz e o crucificado. E é de fato importante mencionar essa liberdade que o próprio Jesus permite que tenhamos neste tempo. Contudo, quando o Rei dos reis retornar, o critério de sua justiça parte de nossa reação à cruz. Logo, percebendo Cristo que se entrega à morte no madeiro, importa enxergá-lo em busca de uma decisão, acatando e compreendendo que o seu sacrifício tem direta relação conosco ou não. Assim como em O grito e em outras de suas obras, Munch deixa a perturbadora presença de um personagem que, da tela, olha para o espectador, fitando-o imperativamente. Talvez, seja esse homem eu. O seu olhar me encontra e me questiona acerca de que modo reajo diante da morte de Jesus Cristo.

terça-feira, 19 de março de 2013

Um outro: aquele

"Aunque los azares del juego le interesaban, 
era un mal jugador, porque le desagradaba ganar."

Já tinha sentido isso muito antes, mas foi naquele momento que a coisa lhe pareceu mais séria. Desde que começou a trabalhar, dedicação e seriedade lhe eram comuns, indispensáveis. Era destaque sua postura responsável. Era notório seu envolvimento sincero com as tarefas corriqueiras. Era incomum ser assim.

Os anos no serviço foram-lhe permitindo ouvir muita gente que questionava tanto afinco. Para eles, bastava fazer o que se devia e não procurar pelo em ovo. O importante é andar na linha, respeitar o chefe, cumprir com os deveres e, óbvio, ter o salário na conta ao final do mês. Sendo assim, estava tudo bem. O pacto de mediocridade fazia dele um réu julgado pelos já condenados.

Perturbava-lhe essa ideia de ir vivendo a vida como se ele não tivesse nada a ver com ela. Era vivo o desejo de transformação nele. Era intenso o compromisso. Era pulsante uma esperança de mudar as coisas que lhe chegavam à mão.

Um dia, percebeu que era mesmo uma bobagem danada querer nadar contra a maré. Viu que todo mundo tirava proveito das situações, escolhendo se envolver o mínimo possível no máximo de trabalho. Essa percepção lhe chegou. Essa percepção não lhe parou. Essa percepção lhe fez sabotar aquele código cultural que se revelara a ele.

Escolheu viver os dias que restavam com um interesse sincero pela vida e pelas pessoas. Decidiu fazer o que lhe chegava às mãos como tarefa ainda pessoal. Preferiu ser ele mesmo a vender-se à ilusão de que tudo o que lhe dava significado eram os cifrões depositados na conta bancária.

Olhou nos olhos dos outros. Apertou firme as mãos dos outros. Ouviu atento a voz dos outros. Percebeu a vida dos outros. Ele não se tornou um outro para si mesmo, considerou os outros.

A revolução silenciosa que começou na insistência cotidiana terminou um dia com a sua partida. Sim, gente assim também morre. Não foi um grande herói. Não teve seu nome homenageado por nada. Seus feitos se davam no cotidiano bobo e besta daquele ambiente de trabalho, na vizinhança, na vida comum, só isso.

Carregando o caixão, alguns olhos olharam de novo pra ele. Carregando o caixão, algumas mãos se revezaram, firmando o caminho do esquife para a terra. Carregando o caixão, algum silêncio falava para aquela gente o segredo daquele homem.

Cegueira

A história da cura de um cego de nascença chega a mim, hoje, como um convite à inocência poderosa da fé em Cristo e como um alerta contra a dureza opaca do ceticismo. De um lado, Jesus opera um milagre, restaurando a dignidade de um homem. Do outro, uma comitiva religiosa escrutina os quês e porquês de tudo o que aconteceu. Aqui comigo, soa mais razoável o que disse o sujeito tocado pelo Messias: "Uma coisa sei: eu era cego e agora vejo." (João 9.25).

terça-feira, 5 de março de 2013

Sobra

Nem quis saber se estava faltando espaço pra tanta quinquilharia. Já estava na mão o novo e ali não lhe abandonaria. Levou. Carregou. Era seu. E restou o recém-chegado no depósito de novidades ultrapassadas.

Sair de casa lhe despertava o desejo imenso e intenso de multiplicar as sobras. E, querendo não conviver com seu próprio excesso de conhecidos quereres, resolveu escondê-lo com mais novos. Isso lhe tirava do lar frequentemente, já que suas vontades concentradas e manifestas chamavam-na de velha a todo tempo.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Como não celebrar a poesia entre nós?

A mão se ergueu. Eu tinha concluído a explicação sobre os gêneros literários. Era recente ainda na sala o comentário sobre a expressão lírica. Enxerguei aquele braço erguido e, preparando-me para responder a alguma pergunta ou para ouvir algum comentário, deixei que a sua dona falasse. Ela o descansou na carteira e, num movimento contínuo e leve, timidamente, retirou de debaixo da outra mão e de seu material escolar uma arrancada folha de caderno.

A face baixa, numa timidez solene, olhou para o papel e, nas linhas que enxergava ali, parece ter se encorajado para dizer "Professor, é que eu escrevi um poema..." Foi um desabafo. A irrupção criativa daquela moça me constrangeu. 

Um silêncio conversou conosco naqueles instantes. Eu, ainda positivamente perplexo, perguntei se a jovem gostaria de ler para a classe o seu poema, afinal de contas, a poesia pedia para ser nossa, pois nos tirou do mecanismo didático, da rotina pedagógica e nos despertou para respirar ares de vida e de liberdade ainda que naquela sala de aula tão comum.

Aquela voz foi crescendo. O poema se tornou público, saindo daquela folha de caderno e alcançando a moçada que estava distribuída no entorno. Eu observava e quase não acreditei que aquele voo livre da poesia desse um rasante em nós na terça-feira de manhã. Leitura concluída. Silêncio. De repente, respeitoso, um menino começou a aplaudir. O aplauso foi seguido por toda a turma e por mim também. Como não celebrar a poesia entre nós?

sábado, 23 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Aprendendo...

Hoje, estava estudando com meus alunos a respeito das figuras de linguagem nas aulas de literatura. Conversei com eles sobre alegoria e, como exemplo, analisamos a passagem de Mateus 13.1-9. Agora, encontrei um vídeo que traduz essa conversa alegórica de Jesus de modo singelo e profundo. Vale a pena assistir.


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Volto

Volto à vida deixada naquela caixa de fotografias. Permaneceu ali o tempo de outrora, guardando os segredos da minha memória. Ao colocar nela as mãos, a imagem tagarela vozes antigas. Mas em resposta a ela vem o som cansado deste presente que, em silêncio, dialoga com o que foi tempo.

sábado, 14 de abril de 2012

Meninos

Os gritos da discussão espantaram quem estava por perto. O espaço para o ringue foi liberado. A ginga verbal de um deles deu início à batalha. O corpo se dobrou à tensão da voz e se armou. Os passantes seguiam a rotina do dia. Foi um soco que trouxe o inusitado para quem passava naquela rua. Os olhares desatentos viram os corpos em discussão. Um. Dois. Foram três os socos. O punho cerrado encontrou o rosto do menino. Que chorou. Menino também era o agressor. O rosto chocado pela mão do outro foi levado até a camisa do uniforme escolar. Era preciso secar as lágrimas. Não se podia chorar. Tinha muita gente olhando.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

"Os miseráveis"

Nesse primeiro bimestre escolar, trabalhei com os alunos do 9º ano do Ensino Fundamental uma adaptação do livro "Os miseráveis", de Victor Hugo. Parte da proposta de trabalho era uma apresentação em sala e o que compartilho aqui são produções dos estudantes que traduzem o impacto que a leitura da obra causou sobre eles.

"Os miseráveis" tem acentuado caráter de reflexão social. Seguir a trajetória de Jean Valjean é se deparar com conflitos humanos que ainda falam à nossa geração. Fantine, Cosette, Javert, Marius, Thénardier, Bienvenu, Fauchelevent, dentre outros, são personagens que convidam os leitores a fazer parte do universo hugoano. E cada um desses ensina uma lição diferente. Perceber que esse texto resiste à e (re)existe a partir da leitura de meninos e meninas com 13 e 14 anos é testemunhar que aquele escritor francês do século XIX, de fato, tinha algo a dizer.

O poema abaixo foi escrito pelo aluno Fernando Almeida e apresentado como conclusão de seu trabalho:
O que é miséria?
Uma coisa gerada por nós.
Onde está a miséria?
Está em todo lugar.
Quem é a miséria?
A miséria somos nós...

Não entendo essa miséria.
Não sei onde está.
Não sei onde procurar.
Mas que boba, mas que megera.

Descobri onde está.
Mas nem precisei procurar.
Descobri o que sou.
Descobri que sou um miserável
por eu mesmo gerar os miseráveis.
O vídeo a seguir é resultado do trabalho dos estudantes Ana Beatriz Vilela, Bernardo Zanetti, Caroline Dias, Gabriel Leite, Gustavo Hespanhol, Larissa Freez, Lucas Lima e Thales Buzan.
 
 

Foram as mais variadas expressões que povoaram as aulas de Língua Portuguesa quando das apresentações das equipes: música, dança, teatro e artes plásticas se aliaram à literatura e motivaram as leituras de "Os miseráveis".

Alegro-me pelo fato de perceber que os alunos têm se despertado para temáticas tão sérias e com tanta sensibilidade. Como lhes disse, acredito que nenhum deles vai se esquecer daqueles personagens e, mais, nenhum deles vai deixar de notar a atualidade, a presença dos miseráveis hoje e amanhã.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Versão 2012

Está inaugurada a nova cara do blog. É com alegria que a estreia acontece! E, falando em alegria, em breve, vem um texto sobre o lema da página para este ano. Fiquem à vontade para as visitas!